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“E só Deus pra protegê-los”: penitenciária do Rio Grande do Sul registra segunda morte de detento com COVID-19 em três dias

Infovírus

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O surto do novo coronavírus na Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ), em Charqueadas, no Rio Grande do Sul, fez a segunda vítima. O nome do homem não foi divulgado. Ele era idoso e faleceu na quarta-feira (15), mas sua morte só foi informada oficialmente na sexta-feira (17). Como o Infovírus divulgou na última sexta, um detento da mesma penitenciária foi o primeiro a morrer por covid-19 no estado, no dia 13 de julho.

Do primeiro caso de COVID-19 registrado no presídio - em junho - até hoje, o número de contaminações subiu para pelo menos 240 entre os detentos. Segundo declarações do diretor da penitenciária, o major Fabiano Dorneles, cerca de mil testes foram aplicados. A unidade possui 2.561 presos internos, portanto, menos da metade da população carcerária foi testada.

 

Diante da gravidade da situação, familiares de presos sofrem com a falta de informações oficiais sobre o estado dos apenados. Com as visitas suspensas desde março, a PEJ disponibilizou um canal de e-mail para pedidos de informação, para que as famílias pudessem se comunicar com os presos. Porém, familiares relatam que nunca obtiveram retorno dos e-mails enviados.

 

A administração da PEJ diz que, apesar do surto, os presos que testaram positivo cumprem os protocolos de isolamento. No entanto, segundo relato de um familiar que preferiu não ser identificado, há presos que apresentam sintomas e estão em contato direto com seus companheiros de confinamento.

 

Familiares também relatam dificuldade dos presos de realizar o tratamento para doenças dentro do presídio, pela demora na chegada dos remédio e pelo precário atendimento médico. Muitos presos com tuberculose, HIV, hipertensão e idosos tiveram o benefício da prisão domiciliar negado, com o fundamento de que não havia casos confirmados e, portanto, eles estavam em segurança no presídio.

 

Agora, com mais de 200 casos confirmados e sem cumprir o isolamento, a esperança dos familiares é na justiça divina: “todos estão numa câmara de gás à mercê da própria sorte. E só deus pra protegê-los”, relatou o familiar de um apenado da PEJ.

 

O Infovírus lamenta profundamente a morte ocorrida e presta solidariedade à família. Todas as mortes preveníveis e não evitadas de pessoas sob a custódia do Estado são de responsabilidade dos agentes do Estado.

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